Camarada
Presidente José Eduardo dos Santos, na III Sessão
do Comité Central:
«MPLA vai continuar a ser o principal impulsionador das
reformas
e do aperfeiçoamento do sistema democrático»
O
Presidente do MPLA, Camarada José Eduardo dos Santos, definiu
(26/11) a configuração de um sistema de formação
dos militantes como uma prioridade do Partido na actual fase de
desenvolvimento de Angola.
Na abertura da III Sessão Ordinária do Comité
Central do MPLA, reunido dias 26 e 27 de Novembro de 2004, em
Luanda, o Presidente José Eduardo dos Santos defendeu que
isso vai dar os necessários conhecimentos aos militantes,
quer sobre a vida interna do Partido, quer sobre domínios
de intervenção política essenciais, como
a educação cívica e moral, a educação
e consciencialização jurídica e eleitoral,
quer ainda sobre a educação patriótica e
o domínio das ciências sociais.
Eis a sua intervenção, na íntegra:
«Caros
Camaradas!
Está
prestes a terminar o ano de 2004. Nesta época, as pessoas
singulares e colectivas fazem o balanço do que foi realizado
e traçam planos para o ano seguinte. Este é, certamente,
o exercício que vamos levar a cabo hoje, em vários
domínios.
Começo com o Processo de Paz e Reconciliação
Nacional, que está a decorrer de forma quase exemplar. Aqueles
que vaticinavam que os angolanos não seriam capazes de superar
as suas profundas divergências, depois de muitos anos de conflito
armado, falharam.
Em todo o país se circula com total liberdade. Já
não há inimigos internos de uns ou de outros. Todos
convivem com naturalidade, empenhados em fazer valer as suas ideias
e as suas diferenças apenas através do diálogo
e da luta política pacífica. Populações
deslocadas e as que se tinham refugiado no exterior regressam aos
seus lares, reorganiza-se a vida social e a esperança num
futuro melhor renasceu em toda a parte. A reintegração
social dos ex-militares prossegue.
Importa agora continuarmos a criar as condições para
acelerar estes processos, a fim de permitir que todos se possam
dedicar com segurança à actividade produtiva e comercial,
contribuindo, deste modo, para a reconstrução nacional
e o desenvolvimento geral do país.
Neste clima de paz foi realizado o V Congresso do MPLA, de 06 a
10 de Dezembro do ano passado. Foi um importante marco na via da
normalização da vida nacional, pois produziu orientações
fundamentais para a vida de todos os angolanos, consubstanciados
nos documentos essenciais da actividade do Partido, nomeadamente
nos Estatutos, no Programa, na Moção de Estratégia
e na Resolução Geral do V Congresso.
O balanço, que é já possível fazer da
implementação das orientações contidas
nesses documentos, é positivo e encorajador.
Persistem dificuldades e constrangimentos, provocados, sobretudo,
pela necessidade de adaptação às novas regras
e métodos de funcionamento, pela escassez de recursos financeiros
e pela insuficiência de recursos humanos qualificados.
A materialização do Programa e da Moção
de Estratégia levou à preparação de
um Programa de Governo bienal e de carácter intercalar, como
antecâmara da adopção dos programas de médio
e longo prazos.
Estes programas serão elaborados com base numa estratégia
em fase de redacção, cujos parâmetros essenciais
vão coincidir com os termos da Agenda Nacional de Consenso
que for adoptada.
Destes instrumentos orientadores da acção do Partido
destacam-se ainda os esforços com vista a dar corpo às
indicações sobre a boa governação; o
combate à corrupção, ao crime organizado e
ao terrorismo; a defesa e promoção dos valores cívicos
e culturais, bem como a relativa ao aumento do bem-estar social,
quer pela via do aumento do rendimento social, quer pela melhoria
da prestação dos serviços sociais, como a educação
e a saúde.
Por sua vez, a aplicação dos novos Estatutos conduziu
ao início do processo de reorganização das
estruturas do Partido, que teve início em Abril deste ano
e que deverá terminar em Abril de 2005.
Forte
implantação no seio das comunidades
Este
processo de reorganização veio confirmar que o MPLA
tem uma forte implantação no seio das comunidades.
Ele converteu-se também num verdadeiro movimento mobilizador,
sobretudo pela forma engajada como os militantes o encararam.
O processo de reorganização deve abranger as estruturas
executivas do Partido a nível intermédio, particularmente
nas comunas e municípios e levar à criação
das condições para a renovação de mandatos.
Como é natural, este processo de renovação
do Partido vai ter uma incidência directa sobre a renovação
da sociedade e sobre a reforma do Estado, em curso no nosso país.
A acção será, por isso, conduzida de forma
coordenada, com vista à melhoria do desempenho dos diferentes
serviços e dos seus titulares e agentes. O reforço
da autoridade e da capacidade institucional será uma das
metas a atingir.
Outra meta será afirmar o respeito pelo princípio
da especialidade, comum a todas as sociedades democráticas
e Estados de direito. Isto é, cada organização,
seja ela qual for, deverá estruturar-se e actuar de acordo
com o seu objecto social, evitando, assim, a acção
difusa sobre várias matérias, conducente à
confusão e ao caos.
Todos estes processos de reformas têm provocado a reformulação
de grande parte da legislação em vigor e, nesse domínio,
uma atenção especial deve ser prestada à reforma
do sistema judicial, desde os órgãos jurisdicionais
e suas estruturas e serviços auxiliares até aos serviços
de Justiça, designadamente as conservatórias e notariados,
como elementos determinantes para o reforço das garantias
dos direitos dos cidadãos. Continuará a ser implementada
também a reforma do sistema fiscal para tornar mais justa,
realista e objectiva a tributação dos cidadãos.
O Partido vai, de facto, continuar a ser o principal impulsionador
das reformas e do aperfeiçoamento do sistema democrático,
quer tomando iniciativas legislativas, quer promovendo debates ou
outras formas de abordagem dos fenómenos sociais, políticos
e económicos, que permitam não apenas obter consensos,
mas, sobretudo, convencer os cidadãos e muito particularmente
os nossos militantes, sobre a razão das nossas opções.
As iniciativas sobre temas importantes para os cidadãos e
para os diferentes organismos, realizados ao longo deste ano nos
domínios cívico e comunitário, vão continuar
também, porque permitem ao MPLA resgatar e consolidar o seu
verdadeiro protagonismo na sociedade, não apenas como um
Partido no poder, mas como um Partido capaz de produzir estratégias,
implementar políticas e realizar acções que
vão de encontro aos anseios e expectativas dos cidadãos.
Clareza
na conclusão das presidenciais de 1992
Por
outro lado, o Partido continuará profundamente empenhado
no processo de estabilização política em Angola,
que tem como um marco incontornável os Entendimentos do Luena.
A paz alcançada então estabelece um novo começo,
que deu aos diferentes órgãos de soberania a possibilidade
de poderem determinar e programar, com maior objectividade, os seus
planos e tarefas e à sociedade e ao povo a de poderem aferir
e avaliar com maior segurança o desempenho desses mesmos
órgãos.
Assim, as eleições constituem para o MPLA um desafio
fundamental deste processo político, tendo em conta que as
mesmas representam, num regime democrático, a possibilidade
única de legitimar o exercício do poder político.
Alcançada a normalidade constitucional em 2002, precisamos
agora de fechar o ciclo político iniciado em 1992. É
necessário clareza em relação a conclusão
das eleições presidenciais de 1992. O Parlamento e
o Tribunal Supremo devem definir se haverá segunda volta
ou não.
Por outro lado, devemos voltar as nossas atenções
e esforços para a preparação, organização
e realização das próximas eleições
gerais.
A estabilidade, a segurança e, acima de tudo, a confiança
das populações em todo o processo são uma preocupação
dominante no seio do Partido.
Os resultados das eleições legislativas e a constituição
de um Parlamento com uma base de legitimidade renovada podem permitir
a obtenção de consensos de modo mais célere
e permitir a adopção de um novo texto constitucional
com uma visão mais realista sobre o modelo de sistema de
governo que queremos para o futuro e que mais se adequa à
nossa realidade e história e garanta estabilidade.
Caros
Camaradas!
Uma
outra prioridade do Partido, nesta fase, é a configuração
de um sistema de formação dos seus militantes, que
lhes dê os necessários conhecimentos, quer sobre a
vida interna do Partido, quer sobre domínios de intervenção
política essenciais, como a educação cívica
e moral, a educação e consciencialização
jurídica e eleitoral, quer ainda sobre a educação
patriótica e o domínio das ciências sociais.
O Departamento de Quadros retomou, por isso, o seu lugar e papel
no seio das instituições do Partido e será
um instrumento valioso nesse sentido.
Termino desejando muitos êxitos à presente sessão
do Comité Central.
Declaro aberta a reunião.
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