DISCURSO
PROFERIDO PELO CAMARADA PRESIDENTE JOSÉ EDUARDO DOS SANTOS
NO ACTO DE ABERTURA DA V SESSÃO ORDINÁRIA DO COMITÉ
CENTRAL
Camarada
Vice-Presidente,
Camarada Secretário Geral,
Camaradas
Membros do Comité Central,
Apraz-me
ver-vos de boa saúde e preparados para começar os
trabalhos da presente sessão.
Quando
nos separámos, depois da última reunião, a
situação política nacional era dominada pelas
questões relativas às próximas eleições
legislativas e presidenciais, ao Processo de Paz e Reconciliação
e à reconstrução e desenvolvimento económico
e social do país.
No
que diz respeito à vida interna do Partido, a nossa atenção
estava focalizada, então na conclusão do processo
e transferência das células e Comités do MPLA,
dos centros de trabalho para os locais de residência, e na
adequação da mensagem política do Partido à
necessidade de darmos respostas claras e objectivas às preocupações
e anseios dos cidadãos e da sociedade e de orientarmos o
esforço nacional para a resolução dos seus
problemas essenciais.
Hoje
são visíveis os sinais que mostram que houve evolução
digna de realce em várias esferas de actividade. Nesta reunião
vamos tratar mais ou menos dos mesmos temas, apreciando os problemas
e os fenómenos que lhes são inerentes, numa etapa
superior dos respectivos processos.
Quanto
à Reconstrução do Partido, recordo que terminou
com êxito a primeira etapa da reorganização
das suas estruturas.
O
Comité Central orientou no sentido da reactivação
do trabalho dos militantes, dos Comités de Acção
e dos organismos intermédios, de forma a realizar melhor
as tarefas relacionadas com a resolução dos problemas
das comunidades em que estão inseridos.
A implementação desta medida requer em muitos casos
a renovação de mandatos de responsáveis desses
escalões, na base dos Estatutos aprovados no V Congresso.
No entanto, este Congresso alterou radicalmente as normas que orientam
os processos eleitorais internos e não estabeleceu qualquer
período de transição nem mecanismos de experimentação.
As novas normas significam uma ruptura total com as tradições
e práticas anteriores do Partido e não dimanam, a
meu ver, de uma análise profunda do carácter de massas
do Partido e do nível de cultura geral da imensa maioria
dos seus membros.
O objectivo do V Congresso foi, sem dúvida, o de aumentar
a democraticidade interna e de tornar os processos eleitorais no
Partido mais transparentes, participativos, livres e justos.
Mas, o Comité Central e o Bureau Político têm
o dever de realçar a nobreza e a pertinência desta
intenção, ao mesmo tempo que têm também
a obrigação de aplicar de modo criativo os princípios,
respeitando as tradições e o carácter de massas
do Partido, de forma a salvaguardar sempre a sua unidade interna
e a coesão da sua Direcção a todos os níveis.
A renovação de mandatos no escalão de base
e no intermédio deve servir para fortalecer o MPLA e para
torná-lo mais capaz de implementar a sua estratégia
eleitoral e mais apto para a disputa político-partidária,
de modo a que o Partido possa estar pronto para vencer as próximas
eleições.
Quanto ao processo eleitoral, este evoluiu para uma fase de não
retorno, com a aprovação do pacote legislativo eleitoral
e com o início de funções da Comissão
Nacional Eleitoral
O MPLA deve preparar-se muito bem para disputar o poder político
com outros partidos e para preservá-lo. À partida
nada estará ganho. Nunca há vencedores antecipados.
As vitórias conquistam-se durante o percurso e consumam-se
no fim da partida, graças ao esforço, à habilidade
e ao trabalho empregues.
O MPLA pode partir confiante e certo, porque é o Partido
da verdade, da justiça e da liberdade, porque sempre lutou
e continua a lutar por este valores e pela dignificação
e bem-estar dos angolanos.
É importante assim que a mensagem, o comportamento social
e a atitude face aos problemas dos seus membros e dirigentes transmita
essa vontade de justiça e liberdade e de dignificação
e valorização de todos os angolanos.
É importante também que o MPLA se prepare para participar
plenamente em todo o processo eleitoral, respeitando escrupulosamente
os Estatutos e o Programa do Partido e toda a legislação
da República em vigor.
Finalmente, no que respeita à reconciliação,
reconstrução nacional e desenvolvimento, a constatação
evidente é que o país está em paz há
apenas cerca de três anos. Continua muito devastado e ainda
há muitos cidadãos e famílias que procuram
estabilizar as suas vidas.
As eleições de 1992 estão na origem da última
e mais sangrenta guerra que o país conheceu. As próximas
eleições devem ser, por isso, muito bem preparadas.
É necessário que sejam criadas para ganhar a confiança
de todos e garantir a mais ampla participação das
populações no processo.
Nesta fase preparatória, o nosso Partido pode tomar iniciativas
no sentido de aprofundar a reconciliação nacional,
de influenciar o Governo para acelerar o processo de reintegração
social dos ex-militares e de contínuo desarmamento da população
civil.
Na minha qualidade de Presidente da República informei aos
líderes dos Partidos Políticos, com quem contactei
recentemente, sobre os esforços que o Governo leva a cabo
para executar o seu programa no domínio da reabilitação
de infra-estruturas.
Como sabem a Conferência Internacional de Doadores para a
Reconstrução de Angola não teve lugar.
Os representantes da Comissão Executiva da União Europeia
comunicaram ao nosso Ministro das Relações Exteriores
que já não era oportuna essa Conferência, porque
Angola tem recursos minerais. Devia pensar-se agora numa Conferência
do Investimento.
Como referi na última reunião recorremos à
cooperação bilateral e ao investimento privado para
mobilizar recursos e capacidades para iniciar a reabilitação
das infra-estruturas destruídas pela guerra, começando
por aquelas que são fundamentais, como as estradas, as pontes,
os caminhos-de-ferro, as telecomunicações e as centrais
geradoras de energia eléctrica e de tratamento de água.
Este trabalho é feito em paralelo com a desminagem, para
facilitar a circulação de pessoas e bens, criar as
condições para viabilizar o desenvolvimento económico
e também para garantir uma boa preparação das
eleições.
Queremos, de facto, transformar Angola num canteiro de obras no
futuro e acelerar a reconstrução e o desenvolvimento
económico e social do país
Estou convencido que nesta reunião vão ser recolhidas
contribuições valiosas, que permitam enriquecer o
nosso pensamento e o nosso trabalho. Desejo assim a todos muitos
êxitos.
Está aberta a reunião.
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