DISCURSO DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA DE ANGOLA, CAMARADA
JOSÉ EDUARDO DOS SANTOS, NA CERIMÓNIA DE CONDECORAÇÃO DE ANTIGOS COMBATENTES E VETERANOS DA PÁTRIA
- LUANDA, 10 DE NOVEMBRO DE 2010 -
“A independência nacional e a paz criaram as condições
para trabalharmos todos no sentido de melhorar a qualidade de vida de cada um”
“Senhor vice-presidente da República,
Distintos convidados
Minhas senhoras e meus senhores.
Estamos aqui para homenagear e enaltecer a contribuição de todos os que estão vivos e participaram nos últimos e decisivos combates e batalhas militares, cuja vitória criou as condições para a proclamação da Independência Nacional, no dia 11 de Novembro de 1975, pelo Dr. António Agostinho Neto, que se tornou depois no primeiro Presidente da República.
Em todas as épocas e fases da nossa História houve pessoas que se destacaram pela sua devoção à causa do povo, pela sua coragem e espírito de sacrifício na resolução dos problemas da sociedade. Em todas as épocas e fases da nossa história houve pessoas que se destacaram pela sua honestidade e criatividade, colocando a sua força moral e intelectual ao serviço de causas nobres.
Estamos, agora, diante de cidadãos de várias idades, de diversos estratos sociais e regiões, do sexo masculino e feminino, que souberam honrar as tradições de resistência e luta dos povos e soberanos que as forças colonialistas encontraram nos territórios que hoje configuram a República de Angola.
As vossas acções heróicas inscrevem-se na linha dos actos de bravura praticados, por exemplo, por António Manimulaza, Rei do Congo, que tombou em combate, na Batalha de Ambuila, contra os ocupantes portugueses; por N’gola Kiluanji, Rei do N'dongo, que, segundo o historiador Camabaia, no seu livro o Renascimento Africano, combateu durante toda a vida contra a ocupação colonial, chegando a derrotar Paulo Dias de Novais e encontrando a morte já velho, numa emboscada das forças de ocupação, dirigidas por outro enviado da Monarquia portuguesa.
As vossas acções heróicas inscrevem na linha dos actos de bravura praticados por Ekuikui e por Katiavala, reis do Planalto Central, que impuseram uma resistência sem tréguas aos colonialistas, até à morte.
O Rei Mandume, no sul de Angola, assumiu a mesma atitude e lutou heroicamente à frente do seu povo, até à morte.
Foi nesta senda, que no dia 04 de Fevereiro de 1961 “os heróis quebraram as algemas para vencer o colonialismo e criar uma Pátria renovada”. Deste modo, os angolanos assumiram o legado histórico e cultural e as tradições positivas dos seus antepassados e juraram realizar o seu sonho de liberdade, que culminou com a declaração da Independência Nacional, em 11 de Novembro de 1975, podendo, enfim, cantar “Pátria Unida! Liberdade! Um só Povo e uma só Nação!”.
São, assim, merecidas as distinções que conferimos hoje às pessoas indicadas e que simbolizam, também, o esforço, o sacrifício e a contribuição de todos aqueles que participaram na Luta de Libertação Nacional.
Milhares e milhares de jovens compreenderam os apelos dos dirigentes do Movimento de Libertação Nacional e juntaram-se incondicionalmente à luta, com o propósito de libertar o país e o povo da opressão.
É natural que, num processo tão complexo como este, ocorressem desvios por este ou por aquele, mas a verdade é que todos fizeram questão de considerar o 11 de Novembro como um compromisso firme e uma data inadiável para a proclamação da nossa Independência.
Sinto-me, assim, particularmente feliz por constatar que superamos as nossas divergências e que todos os angolanos se revêem nesta data, como o dia da nossa Festa Nacional.
Superamos, também, as nossas divergências e contradições, fazendo a travessia no deserto, como se diz, para conquistarmos a paz e a reconciliação nacional.
A independência nacional e a paz criaram as condições para trabalharmos todos no sentido de melhorar a qualidade de vida de cada um.
Peço que nos inspiremos no exemplo de abnegação e espírito de missão dos homenageados que temos diante de nós e que façamos da democracia a via para se alcançar a prosperidade e uma vida digna para todos.
É num Mundo cada vez mais globalizado, em que as nações são interdependentes e competem ou cooperam entre si, que temos de realizar esse grande desígnio. Por outro lado, nesta relação de interdependência, há países mais dependentes dos outros, sendo considerados mais independentes e fortes aqueles que são capazes de assegurar a sua auto-suficiência em quase todos os domínios.
Se observarmos a questão deste ponto de vista, é fácil concluir que ainda é longo e complexo o caminho que devemos percorrer.
Para alcançarmos a prosperidade que pretendemos, temos de criar e desenvolver capacidades nacionais de natureza técnica e científica, em todas as áreas de actividade humana, criar valor e promover acções positivas, competir com vantagem qualitativa e alcançar a auto-suficiência interna em vários sectores da vida económica, social e cultural.
Isto não é impossível, se aplicarmos o princípio da corrida de estafetas, que consiste em seleccionar os ‘atletas’ mais esclarecidos e dinâmicos, que sejam capazes de passar o testemunho a outros ainda mais esclarecidos e dinâmicos, no momento mais certo.
Cada um poderá, assim, afirmar que o seu futuro depende de si e que o futuro de todos, o nosso futuro, depende de nós, em primeiro lugar!
Senhor vice-presidente da República,
Distintos convidados,
Minhas senhoras e meus senhores.
É com muito prazer que vou proceder, agora, a entrega da medalha que cada um tem direito, por mérito próprio, desejando parabéns e muitas felicidades.
Exprimo, também, as minhas felicitações calorosas a todos pelo dia da Festa Nacional.
Muito obrigado pela vossa atenção”. |