DISCURSO
PRONUNCIADO PELO CAMARADA JOSÉ EDUARDO DOS SANTOS,
PRESIDENTE DO MPLA, NA ABERTURA DA SESSÃO DO COMITÉ
CENTRAL
Luanda, 27 de Março de 2009
CAMARADAS
MEMBROS
DO COMITÉ CENTRAL,
Este
ano não começou bem para nós. A crise económica
e financeira mundial que atingiu profundamente os países
mais desenvolvidos acabou por afectar igualmente a nossa economia.
As
receitas do Orçamento Geral do Estado provenientes dos
sectores dos petróleos e dos diamantes diminuíram
significativamente.
Esta
circunstância obrigou o Governo, sob orientação
do Partido, a reajustar os prazos dos projectos ambiciosos que
tem em carteira para aplicar o Programa aprovado pelos eleitores
em 2008.
À medida
que fomos executando as tarefas diárias indispensáveis
à normalização da vida Nacional, os meses
de Janeiro, Fevereiro e Março foram dedicados também
a um intenso trabalho de elaboração e revisão
dos programas executivos e respectivas estruturas de implementação,
bem como a identificação e mobilização
das fontes externas e internas dos recursos financeiros adicionais.
Hoje, o Partido
e o Governo estão em condições de iniciar
a partir do mês de Abril a concretização de
programas de grande impacto social tais como os da Habitação,
da Agricultura, do Desenvolvimento Rural, da Produção
de material escolar, entre outros, sem descurar a continuidade
dos programas em curso de reabilitação e desenvolvimento
das infra-estruturas, nos domínios da água, energia,
saúde, educação e alfabetização.
No mês
de Abril será promovida uma nova Conferência sobre
a Habitação com a participação de
representantes do Governo, das empresas, das cooperativas, e da
sociedade civil e destinada a expor as ideias do Governo sobre
os seus planos, a auscultar opiniões e recomendações
e a identificar operadoras interessadas em contribuir para a resolução
do problema habitacional em Angola, tanto na cidade como no campo.
Outros eventos
semelhantes serão realizados para tratar da Agricultura,
do Desenvolvimento das Comunidades Rurais etc, dando corpo a ideia
defendida pelo MPLA sobre a necessidade de aprimoramento da Democracia
participativa.
O Governo
está a fazer a sua parte, mas não pode fazer tudo.
O Partido deverá colocar-se na linha da frente para mobilizar
vontades, esclarecer os seus objectivos, orientar os seus militantes
quer estejam no Governo, no aparelho do Estado, quer nas empresas,
nas estruturas do Partido e na sociedade civil organizada sobre
a melhor forma de participar activamente na resolução
dos problemas da sociedade.
Os membros
do Partido tiveram uma atitude pró-activa na campanha eleitoral.
Nesta fase de aplicação do nosso programa à
realidade, pedimos a todos os membros, incluindo os do Secretariado
do Bureau Político, que voltem a adoptar uma atitude pró-activa
e se organizem para dar a sua contribuição à
execução desses programas.
CAROS CAMARADAS,
Não
trataremos nesta Sessão de alguns assuntos pendentes relacionados
com o processo eleitoral de 2008, designadamente as conclusões
do inquérito sobre alguma desorganização
verificada em Luanda e sobre as contas finais porque não
temos ainda a informação final do CNE.
Abordaremos
outras questões importantes que se prendem com a preparação
e organização do próximo Congresso Ordinário
do Partido.
Um aspecto
que saltará à vista quando efectuarmos o nosso balanço
é a insuficiência do nosso trabalho no domínio
da formação e gestão dos quadros e no domínio
da formação militante dos membros do Partido.
Com efeito,
não completamos a reestruturação, renovação
e adaptação à nova realidade do nosso sistema
de formação herdado do sistema de formação
ideológica do Partido. Tem havido alguma hesitação
no tratamento profundo dessa matéria.
Os actuais
Estatutos e Programa do Partido definem a sua base ideológica
e a família política a que pertencemos no plano
internacional. É nessa base que acho que devemos conceber,
sem hesitação, a reestruturação do
nosso sistema de educação política e formação
militante.
A indefinição
nessa matéria pode levar-nos mais tarde ou mais cedo a
uma perda de valores e princípios e a consequente crise
de identidade.
É sempre
importante saber e recordar quem somos, com quem estamos e para
onde vamos.
A Direcção
que não preste atenção a este assunto pode
perder ela própria nas teias da imprecisão e indefinição.
Este é apenas mais um tema para reflexão durante
a preparação do nosso Congresso.
Os documentos
para esta Sessão foram convenientemente preparados pelo
Secretariado e pelo Bureau Político. Por isso, penso que
apesar da nossa agenda ser extensa, os pontos dela constantes
não levarão muito tempo a ser discutidos.
Desejo assim
muitos êxitos a esta Sessão do Comité Central.
Está
aberta a reunião!