Exemplo de Angola na nova conjuntura internacional
GESTÃO HÁBIL E ESTRATÉGICA
Por: Paulo Quaresma
É um facto indiscutível que vivemos novos tempos no campo das Relações Internacionais. Todos os países do Mundo, sem excepção, se têm adaptado, uns melhor que os outros, a essa nova conjuntura internacional. Angola não é uma excepção.
As relações externas de Angola têm sido, até agora, geridas de uma forma hábil e estratégica. Angola tem, hoje, relações estratégicas essenciais de desenvolvimento estruturadas com países como a China, os Estados Unidos da América, a Federação Russa, o Brasil, Portugal e muitos outros.
Isto para dizer que, a nível diplomático, Angola está em todos os continentes e, ultimamente, tem estreitado as suas relações estratégicas com países de África, no âmbito da cooperação Sul/Sul, que é muito importante, visto que o continente Africano tem inúmeras e incontáveis matérias-primas, que podem gerar riqueza e prosperidade para os seus países e povos.
A grande questão que se coloca é saber até onde isto vai dar. Será que todas estas relações com um número elevado de Estados são realmente úteis a Angola e ao seu tão almejado desenvolvimento económico, político e social? Está Angola a caminhar na direcção certa?
Estas questões inquietam e deixam na expectativa o país inteiro, porque uma coisa é certa: o desenvolvimento de Angola, o processo de reconstrução nacional, não podem, simplesmente, parar. O que foi construído até agora não pode ser posto em causa.
Angola necessita de continuar com estas relações e diversificá-las ainda mais. Os processos diplomáticos, uma vez começados, devem continuar. Se houver recuos, é o mesmo que um homem lançar uma semente à terra e, passados dois anos, voltar ao local, onde encontra uma árvore já crescida e arrancar essa árvore, sem dó nem piedade.
Angola, nestes termos, só tem mesmo uma solução, que é continuar a diversificar as suas relações externas e tirar delas o maior proveito possível, com parcerias estratégicas estruturantes, que continuem a trazer para dentro das suas fronteiras mais desenvolvimento.
O país necessita de ter alguns cuidados, tendo em conta a nova conjuntura internacional. Da mesma forma que os interesses económicos, políticos e sociais angolanos se modificam ao sabor dos novos tempos, o mesmo acontece com os outros Estados do sistema internacional e, muitos deles, com os quais Angola tem relações estratégicas importantes.
Angola, é indiscutível, tem hoje um poder de decisão mundial muito maior do que tinha, por exemplo, em 1975, depois de se ter tornado independente. Infelizmente, a política internacional é maquiavélica, a luta pelo poder nem sempre é feita de acordo com valores morais e é aí que reside o maior perigo para os Estados considerados emergentes ou potencialmente desenvolvidos.
Os interesses dos Estados mais ricos e poderosos podem hoje ser uns e daqui a dois minutos serem outros. Angola é que tem que se saber posicionar em relação a esses perigos e salvaguardar os interesses vitais estratégicos e a soberania do seu povo e as suas fronteiras. Angola tem, inevitavelmente, de se desdobrar em parcerias estratégicas e, sempre, com ganhos assegurados.
O Ministério das Relações Exteriores, que é o órgão de excelência na gestão da diplomacia do país, tem, inevitavelmente, de continuar a apostar nos seus quadros e a posicionar os seus embaixadores consoante a conjuntura social, política e económica dos países em causa.
É necessário levar para os grandes fóruns internacionais as equipas mais especializadas e tecnicamente melhor preparadas para garantir ao país os ganhos de que tanto necessita.
A gestão diplomática angolana tem que continuar a ser actuante, precisa e hábil e descuidos desnecessários podem levar a consequências futuras, nada abonatórias para o seu povo e para as futuras gerações.
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